Operação Safra Desviada: bloqueios judiciais somam cerca de R$ 686,6 milhões em investigação sobre desvio de grãos
Medida atinge 31 pessoas físicas e jurídicas e inclui bloqueios que variam de R$ 463 mil a mais de R$ 53,6 milhões para garantir eventual ressarcimento às empresas do agronegócio.
A Justiça de Mato Grosso ampliou as medidas cautelares da Operação Safra Desviada, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que apura um esquema de desvio de grãos com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 140 milhões ao setor do agronegócio. A decisão foi assinada pela juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo do Juiz das Garantias de Sinop.
Na determinação, a magistrada autorizou o bloqueio e penhora de ativos financeiros de 31 pessoas físicas e jurídicas, além de novos mandados de busca e apreensão. Segundo a investigação, há indícios de movimentações incompatíveis com a renda declarada, uso de empresas de fachada e possível ocultação patrimonial.
Os valores chamam atenção pelo volume financeiro. O menor bloqueio individual foi de R$ 463.341,53, enquanto uma das empresas investigadas teve bloqueio de R$ 53.617.409,87. Outro ponto destacado foi o montante de R$ 28.534.296,98 atribuído a cada um de dois investigados ligados por parentesco, que juntos chegam a cerca de R$ 57 milhões.
Ao todo, a soma das penhoras determinadas pela Justiça alcança aproximadamente R$ 686,6 milhões em ativos financeiros, valor considerado elevado para uma investigação ligada ao desvio de cargas agrícolas.
De acordo com o Gaeco, a medida busca evitar a ocultação de bens e garantir eventual ressarcimento às empresas prejudicadas. Também foi autorizada a quebra de sigilo de dados e acesso a dispositivos eletrônicos, inclusive arquivos em nuvem, para rastrear o destino do dinheiro e identificar os beneficiários finais do esquema.
A investigação aponta que o grupo teria utilizado transporte de grãos sem documentação fiscal, manipulação de contratos e movimentações financeiras complexas para dificultar o rastreamento dos recursos. O caso segue em apuração pela Polícia Judiciária Civil e pelo Ministério Público Estadual.