Operação Retirada mira núcleo financeiro de facção criminosa em Mato Grosso
Operação Retirada mira núcleo financeiro de facção criminosa em Mato Grosso
Polícia Civil cumpre mandados de prisão e busca para desarticular esquema de lavagem e movimentação de dinheiro ilícito.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a Operação Retirada, com o objetivo de desarticular um núcleo responsável pela movimentação e ocultação de valores ilícitos ligados a uma facção criminosa com atuação no Estado. A ação cumpre quatro mandados de prisão, quatro de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo e sequestro de veículos, todas determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá. Todos os mandados são executados na cidade de Cuiabá.
As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que identificaram um grupo responsável por operacionalizar a circulação de recursos provenientes de crimes como tráfico de drogas, golpes e outras atividades ilegais. A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026 dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento de facções criminosas em Mato Grosso.
Segundo a investigação, parte dos envolvidos possui ligação familiar com S.L.Q.A., conhecido como “Dandão”, apontado como uma das lideranças da organização criminosa no Estado. Entre os investigados estão um sobrinho do suspeito e outras pessoas com vínculos próximos, que atuariam no chamado núcleo financeiro da facção, responsável por administrar e ocultar os valores obtidos com atividades ilícitas.
O esquema funcionava por meio da utilização de contas bancárias de terceiros, conhecidos como “laranjas”, que recebiam depósitos de origem criminosa. Em seguida, integrantes do grupo realizavam saques e transferências sucessivas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Dois investigados atuavam como “sacadores”, responsáveis por captar contas bancárias e coordenar as movimentações financeiras, enquanto outro membro executava saques em espécie, entregas e pagamentos a mando da organização.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, Antenor Junior Pimentel Marcondes, o foco da operação é atingir a estrutura financeira que sustenta a atuação das facções. “É uma investigação extremamente importante, pois o núcleo financeiro era responsável por ocultar e movimentar os recursos ilícitos que mantêm as atividades criminosas”, afirmou. A operação também conta com apoio de diversas unidades especializadas da Polícia Civil e integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.