Governo abre consulta pública para ampliar escolas cívico-militares em Mato Grosso
Comunidade escolar de 28 municípios será ouvida sobre proposta que prevê mudança no modelo de gestão, sem alterar a condução pedagógica
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso publicou, nesta semana, editais de chamamento para consulta pública sobre a proposta de conversão de 66 escolas estaduais para o modelo de gestão cívico-militar, distribuídas em 28 municípios do estado. A iniciativa marca uma nova etapa da política educacional adotada pelo governo e amplia o debate com a comunidade escolar antes de qualquer decisão definitiva.
Entre as unidades incluídas na consulta estão escolas da capital, Várzea Grande e Rondonópolis. No interior, o chamamento contempla instituições como a Escola Estadual Ignácio Schevinski Filho e a Mário Spinelli, em Sorriso; a Dom Bosco, em Lucas do Rio Verde; a Jardim Universitário, em Colíder; a Milton Pompeu de Barros, em Ipiranga do Norte; a André Maggi, em Terra Nova do Norte; além da 12 de Abril, em Alta Floresta, entre outras.
As audiências estão previstas para os dias 24 e 25 deste mês e devem ocorrer nas próprias unidades escolares. Professores, estudantes, pais e responsáveis poderão se manifestar, registrando opiniões favoráveis ou contrárias à proposta. O objetivo, segundo a Seduc, é garantir transparência e participação social no processo decisório.
O secretário estadual de Educação, Alan Porto, afirma que o diálogo com a comunidade é essencial para dar legitimidade à política pública. “Estamos abrindo espaço para ouvir quem vive a escola no dia a dia. Essa construção coletiva fortalece a confiança e melhora as decisões”, destacou. Ele também ressaltou que o modelo tem apresentado resultados positivos, especialmente na organização do ambiente escolar, mas que a expansão só ocorre após a escuta da população envolvida.
Atualmente, Mato Grosso conta com 105 escolas no modelo cívico-militar. Com esta nova etapa, o governo pretende ampliar significativamente esse número. A meta, conforme a Seduc, é chegar a 205 unidades ainda este ano, com a publicação de novos editais de consulta pública para outras 34 escolas até abril.
A secretaria reforça que a mudança proposta não altera a gestão pedagógica, que continua sob responsabilidade exclusiva de diretores, coordenadores e professores civis, seguindo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A atuação de militares da reserva fica restrita à gestão administrativa e disciplinar, incluindo organização do espaço escolar, controle de acesso, apoio ao civismo e estímulo a valores como disciplina, hierarquia e organização.