Justiça nega prescrição a Gilberto Rodrigues e mantém regime fechado para condenado pela chacina de Sorriso
Réu cumpre pena de 225 anos e também responde por outros crimes; pedido para trabalhar ou estudar será analisado pela administração penitenciária
O juiz Geraldo Fernando Fidelis Neto, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, negou o pedido de reconhecimento da prescrição do crime de furto atribuído a Gilberto Rodrigues dos Anjos. O condenado cumpre pena de 225 anos de prisão pela chacina que vitimou quatro integrantes de uma mesma família, em novembro de 2023, no município de Sorriso.
As vítimas foram Cleci Calvi Cardoso, 46 anos, e suas três filhas: Miliane Calvi Cardoso, 19 anos; Manuela Calvi Cardoso, 13 anos; e Melissa Calvi Cardoso, 10 anos. Elas foram assassinadas dentro da própria residência, no bairro Florais da Mata, em um crime que ficou conhecido como a Chacina de Sorriso e gerou forte comoção em todo o Estado.
Na decisão publicada nesta semana, o magistrado rejeitou a tese de prescrição retroativa do crime de furto, destacando que o prazo legal de quatro anos não foi atingido em razão dos marcos interruptivos do processo. Entre eles, o período em que o réu esteve foragido, além da decisão de pronúncia em janeiro de 2025 e da sentença condenatória proferida em maio do mesmo ano, que reiniciaram a contagem do prazo.
Além desse processo, Gilberto também responde por latrocínio no município de Mineiros, em Goiás. Na mesma decisão, o juiz encaminhou à administração da Penitenciária Central do Estado (PCE) a análise sobre eventual autorização para que o detento possa trabalhar ou estudar, incluindo participação no Enem. Apesar de manifestação favorável do Ministério Público, o magistrado ressaltou que cabe à gestão penitenciária avaliar tecnicamente essas possibilidades.
O regime fechado foi mantido após a unificação das condenações. O crime ocorreu na madrugada dos dias 24 e 25 de novembro de 2023. À época, o réu trabalhava em uma obra ao lado da casa da família. O pai e esposo das vítimas estava em viagem a trabalho. Gilberto foi preso dias depois pela Polícia Civil e confessou os assassinatos em depoimento.