Polícia detalha investigação que aponta elo entre projeto de evangelização e facção criminosa em presídio de MT
Operação Fariseus cumpriu 27 ordens judiciais e apura atuação de uma família suspeita de levar celulares, dinheiro e recados para líderes presos.
A Polícia Civil de Mato Grosso divulgou novos detalhes da Operação Fariseus, que investiga um suposto esquema de apoio a uma organização criminosa dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Segundo o delegado Victor Caetano, titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), integrantes de uma mesma família utilizavam um projeto de evangelização para ter acesso ao presídio e, conforme a investigação, facilitar a entrada de materiais ilícitos e a comunicação entre detentos e membros da facção em liberdade.
As investigações, que se estenderam por mais de um ano, tiveram início após uma denúncia e resultaram no cumprimento de 27 ordens judiciais. Conforme a Draco, foram reunidos elementos que indicam a atuação do grupo no transporte de celulares, carregadores, dinheiro em espécie e mensagens destinadas a lideranças custodiadas no raio de segurança máxima. A principal investigada também é apontada como responsável por receber determinações de um líder da facção atualmente foragido e repassar recursos financeiros a outros integrantes do grupo.
Durante a entrevista, o delegado afirmou que os pais da suspeita, identificados como pastores, também são investigados por supostamente integrar a organização criminosa. De acordo com a polícia, eles teriam participado da movimentação de dinheiro, do repasse de recados e da logística do esquema. A investigação ainda aponta que os envolvidos teriam recebido benefícios da facção, incluindo proteção e vantagens financeiras, além da utilização de empresas consideradas de fachada para ocultar a origem dos recursos.
A Polícia Civil informou ainda que apreendeu imagens, documentos e outros elementos que reforçariam a ligação dos investigados com lideranças da organização criminosa, incluindo registros fotográficos ao lado de um dos chefes da facção. Outro fato apurado é que a principal investigada teria recorrido aos criminosos para solucionar um furto ocorrido em sua residência, em vez de procurar as autoridades. O inquérito segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e concluir a apuração dos fatos.