Mulher é baleada após ataque do ex-companheiro em Sorriso; suspeito foge com criança
Tensão na CPMI do INSS: troca de parlamentares gera acusações de “manobra” e tentativa de blindagem
Mudança na comissão após exoneração de ministro provoca reação de senadoras e intensifica disputa política sobre relatório final
A reta final da CPMI do INSS foi marcada por forte tensão política e acusações de interferência do governo federal na composição da comissão. A exoneração do então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira (27), alterou diretamente o equilíbrio de forças no colegiado e provocou reações imediatas de parlamentares da oposição.
Com o retorno de Fávaro ao Senado, a senadora Margareth Buzetti deixou a vaga de titular na comissão, sendo substituída por um nome mais alinhado ao governo. A mudança ocorreu às vésperas da votação do relatório final da CPMI, que investiga possíveis irregularidades no INSS e pode definir o encaminhamento de pedidos à Justiça.
A decisão gerou críticas duras dentro e fora da comissão. Buzetti afirmou que não foi comunicada previamente sobre sua substituição e classificou o episódio como desrespeitoso. “Soube pelo Diário Oficial. Não fui nem informada. O governo deve estar com medo do meu voto”, declarou. A senadora também defendeu que as investigações não sejam politizadas. “Não importa de qual governo começou. Foi roubo de aposentados e precisa ser esclarecido”, disse.
A senadora Damares Alves também criticou a movimentação e acusou o governo de agir para proteger aliados. Em declaração, afirmou que a troca de parlamentares foi feita “em cima da hora” para influenciar o resultado da votação. “Exoneraram o ministro para que ele voltasse à CPMI e tiraram uma senadora que estava sentada na comissão. Isso é uma manobra para blindar”, disse.
Damares ainda elevou o tom ao comentar o impacto do relatório final. Segundo ela, o documento traz um número elevado de indiciamentos e tem pressionado o governo. “Eles estão com medo do relatório. Mais de 200 pessoas foram indiciadas. Pode ser que não aprovem, porque agora vão tentar barrar, mas o trabalho foi feito”, afirmou. A parlamentar também criticou a condução política do caso, dizendo que “não é o governo que paga os aposentados, é o povo brasileiro”.
A CPMI do INSS é composta por 32 membros, entre deputados e senadores, e o relatório final precisa de ao menos 17 votos para ser aprovado. Nos últimos dias, a comissão passou por sucessivas mudanças em sua composição, evidenciando a disputa acirrada entre base governista e oposição pela maioria necessária.
Apesar das divergências, o relatório foi lido e agora depende de votação para ter efeitos práticos. Caso aprovado, poderá resultar em pedidos formais à Justiça e novos desdobramentos no caso. Nos bastidores, a expectativa é de que o embate político se intensifique até a decisão final, com ambos os lados buscando garantir vantagem no placar